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Institutos de Pesquisa: Quem Acertou e Quem Errou em 2024

Uma avaliação sistemática do desempenho dos principais institutos nas municipais de 2024 revela quais metodologias funcionaram — e quais precisam revisão antes de 2026.

Multitudes Análise·20 de janeiro de 2026·7 minutos de leitura

Após cada eleição, é possível fazer o que os estatísticos chamam de "backtesting" — comparar as previsões dos institutos com os resultados reais. As municipais de 2024 ofereceram um conjunto robusto de dados para essa análise.

Metodologia de Avaliação

Para este ranking, utilizamos o erro médio absoluto (MAE) das últimas pesquisas divulgadas antes de cada eleição, calculado para os dois principais candidatos em cada disputa com segundo turno. Avaliamos 26 disputas de capital e mais 40 municípios com mais de 200 mil eleitores.

Resultados por Instituto

Datafolha (A+): Manteve seu histórico de excelência. MAE médio de 2,1pp nos segundos turnos de capitais. Acertou a direção do resultado em 23 das 26 capitais. Principal erro: subestimou ligeiramente a margem de vitória de Ricardo Nunes em São Paulo.

Quaest (A): Melhor desempenho proporcional considerando o menor número de pesquisas realizadas. MAE de 2,3pp. Acertou 21 de 26 capitais. Metodologia híbrida (presencial + online) mostrou-se robusta.

Atlas Intel (A-): Bom desempenho geral com ressalva: subestimou consistentemente o voto evangelico em municípios com alta penetração de igrejas neopentecostais. MAE de 3,1pp, mas erro sistemático em um segmento específico.

PoderData (B+): Desempenho acima da expectativa para um instituto de rating B+. MAE de 3,4pp. Acertou 18 de 26 capitais. Metodologia presencial sólida, mas com cobertura irregular em cidades menores.

MDA Pesquisas (B): Desempenho heterogêneo. Excelente no Nordeste (MAE de 2,8pp) onde tem maior capilaridade, mas erros expressivos no Sul e Sudeste (MAE de 4,7pp). Viés regional claro.

Paraná Pesquisas (B): Bom desempenho no Sul do país, consistente com sua especialização regional. MAE de 3,0pp na região, mas pouca cobertura nacional dificulta avaliação abrangente.

Ideia Big Data (B+): Metodologia de big data ainda em calibração para eleições municipais. MAE de 3,8pp, com subestimação do voto de candidatos com menor presença digital — distorção esperada em metodologia baseada em dados online.

O Problema Estrutural que Persiste

Todos os institutos, sem exceção, enfrentam o mesmo desafio metodológico: o eleitorado que decide o voto nos últimos 7 dias é difícil de capturar. Em 2024, estimativas sugerem que 12-15% do eleitorado decidiu o voto na última semana. Esse grupo, por definição, não é capturado pelas pesquisas de fechamento.

A solução metodológica mais promissora — modelos preditivos que combinam aprovação de governo, histórico de votos, indicadores econômicos e pesquisas — ainda está em desenvolvimento nos institutos brasileiros. Nos EUA, modelos como os do FiveThirtyEight reduziram esse problema significativamente.

Conclusão

A qualidade das pesquisas brasileiras é comparável ao padrão internacional para pesquisas pré-eleitorais. Os institutos de rating A e A+ estão dentro da margem de erro em mais de 85% das disputas analisadas. A recomendação permanece: use múltiplos institutos, prefira agregadores, e nunca tome uma pesquisa isolada como definitiva.

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